Quem é a esposa do secretário de Itumbiara que perdeu os dois filhos

A cidade de Itumbiara amanheceu em silêncio. Um silêncio pesado, difícil de explicar. A tragédia que atingiu a família do prefeito Dione Araújo mexeu não só com os bastidores da política, mas com todo mundo que acompanha o noticiário e, principalmente, com quem conhecia a família de perto.

A empresária Sarah Tinoco Araújo, filha do prefeito, enfrenta hoje o pior tipo de dor que alguém pode imaginar. Na noite da última quarta-feira (11), seus dois filhos, Miguel, de 12 anos, e Benício, de apenas 8, foram mortos dentro do condomínio onde moravam. O autor foi o próprio pai das crianças, Thales Machado, que depois tirou a própria vida.

É dificil até escrever isso sem sentir um nó na garganta.

Sarah sempre foi vista como uma mulher ativa, presente, dessas que dividem o tempo entre família e trabalho. Além de acompanhar o marido em eventos oficiais da prefeitura, ela também tocava seus próprios negócios. Nas redes sociais — que agora estão fechadas — costumava compartilhar a rotina como gestora de franquias. Administrava as lojas Famóveis (Planejados e Interiores) e também um quiosque da marca WePink, da influenciadora Virginia Fonseca.

O quiosque foi inaugurado em novembro de 2025 no Center Plaza Shopping, local que o próprio Thales gerenciava havia anos. Era um projeto que, segundo amigos próximos, tinha deixado Sarah animada, cheia de planos para 2026. Quem acompanha o comércio local sabe o quanto ela se dedicava.

Além do lado empresarial, ela também gostava de esporte. Participava de campeonatos regionais de beach tennis, desses que movimentam a cidade nos fins de semana. Era comum ver fotos dela sorrindo nas quadras, com medalhas simples mas cheias de significado.

E então, de uma hora pra outra, tudo desmorona.

Polícia Civil de Goiás investiga o caso como homicídio seguido de autoextermínio. Segundo as primeiras informações, Thales teria deixado uma carta de despedida para familiares. No texto, mencionou problemas conjugais e escreveu que agiu em um momento que chamou de “o limite do improvável”. Um trecho divulgado chamou atenção pela frieza e pela intensidade: ele dizia que partia junto com os filhos, que agora seriam “anjos”.

Horas antes do crime, Thales ainda publicou fotos com as crianças nas redes sociais. A legenda dizia: “Que Deus abençoe sempre meus filhos. Papai ama muito”. É o tipo de postagem que, vista depois de tudo, causa arrepio.

O mais triste é que, como acontece quase sempre na internet, Sarah ainda precisou lidar com ataques nas redes sociais após a divulgação da carta. Mensagens de ódio, julgamentos precipitados, teorias. Uma dor que já era insuportável ganhou contornos ainda mais cruéis.

Miguel chegou a ser levado ao Hospital Municipal Modesto de Carvalho, mas não resistiu. Benício foi internado em estado grave no hospital estadual da cidade e também teve o óbito confirmado pouco depois. Dois meninos. Duas vidas interrompidas de forma brutal.

A repercussão foi imediata. O governador Ronaldo Caiado cancelou compromissos e viajou até Itumbiara para prestar apoio pessoalmente à família. O município decretou luto oficial de três dias. Escolas, comércios e órgãos públicos sentiram o impacto.

Quando a violência acontece dentro de casa, a sensação é ainda mais devastadora. Não é só uma estatística. São rostos, histórias, planos. É o tipo de notícia que faz a gente parar e pensar no quanto ainda precisamos falar sobre saúde mental, sobre relacionamentos abusivos, sobre sinais que muitas vezes passam despercebidos.

Sarah, que até dias atrás dividia a rotina entre reuniões, quadras de areia e compromissos oficiais, agora enfrenta um vazio impossível de mensurar. A cidade inteira parece estar de luto junto com ela. E, sinceramente, palavras nunca serão suficientes para explicar uma tragédia assim.

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